| Saúde
Previna-se
contra a
CISTITE
Por
muito tempo, a cistite foi uma doença quase
desconhecida, e as mulheres sofriam em silêncio.
Com os conhecimentos de hoje, tornou-se fácil
a cura e sobretudo a prevenção,
seguindo algumas regras de higiene.
A cistite, uma
inflamação da bexiga, é uma
das doenças que mais atinge as mulheres
e também uma das que mais incomoda.
Os sintomas que a revelam são basicamente
três: dor quando a mulher urina, aumento
do número de vezes que ela urina e, em
certos casos, perda de sangue juntamente com a
urina.
A cistite atinge, em geral, mu-lheres e raramente
os homens (neste caso, costuma ser conseqüência
de uma uretrite, e atinge mais os jovens). Quando
uma mulher está com cistite, o primeiro
sinal é uma sensação dolorosa
de picada ou pontada na hora de urinar. Com o
agravamento da doença, surge uma dor aguda
na barriga e depois nas costas, além de
febre e mal-estar geral.
O sistema urinário
Para entender
como a cistite ataca o organismo, é importante
saber como funciona o sistema urinário.
A corrente sanguínea é o sistema
de transporte do corpo. É ela que leva
o alimento e oxigênio a todo o organismo
e o livra dos resíduos. Esses resíduos
ou produtos indesejáveis são captados
e expulsos do organismo pelos rins, que funcionam
como filtros do sangue. Quando o sangue passa
através dos rins, estes retiram dele o
excesso de água e sal, ácido úrico
e outras substâncias de que o organismo
não precisa. Assim purificado, o sangue
sai do rim e volta à circulação.
O excesso de água e as subs-tâncias
não aproveitadas passam dos rins para os
ureteres (tubos finos que unem os rins à
bexiga). No fim de cada ureter existe um esfíncter
(uma espécie de válvula) que, quando
funciona corretamente, deixa a urina passar para
a bexiga. A presença de urina estimula
os esfíncteres a se abrirem para lhe dar
passagem. Há casos em que os esfíncteres
se fecham depressa demais e uma porção
de urina fica presa nos ureteres, criando um ambiente
propício para a formação
de bactérias. Freqüentemente, isso
resulta em cistite.
Se os esfíncteres funcionam bem, a urina
passa toda para a bexiga um saco muscular
oco capaz de armazenar 1/4 de litro de urina.
Na medida em que recebe urina, ela se dilata,
o que estimula os nervos existentes em suas paredes.
Quando está cheia, esses nervos "avisam"
que a pessoa precisa urinar.
Na saída
da bexiga existe um outro esfíncter
No momento de
urinar, esse esfíncter se abre, deixando
a urina passar para a uretra, de onde é
eliminada. A bexiga se contrai para ajudar a expulsar
toda urina.
É normal urinar quatro ou cinco vezes ao
dia e até mais vezes, se a pessoa bebeu
muito líquido. As mulheres grávidas
também têm maior necessidade de urinar
porque o útero, aumentando de tamanho,
pressiona a bexiga, que não consegue reter
muita urina.
As causas
A cistite é
causada sobretudo pela bactéria E.coli
(Escherichia). Ela vive no intestino e, como outras
bactérias existentes no corpo, não
causa problema a essa área do organismo,
podendo, até mesmo, ser útil, às
vezes.
Os problemas começam quando a E.coli passa
do intestino para os órgãos urinários.
Essa bactéria desenvolve-se em meio ácido
e procura o orifício uretral por causa
do teor ácido da urina.
A cistite é mais comum nas mulheres porque
a anatomia feminina facilita a transferência
acidental da E.coli, na medida em que os orifícios
da vagina e da uretra estão muito perto
do ânus. Quando a E.coli se multiplica,
causa uma inflamação que pode se
espa-lhar da abertura da uretra para a bexiga,
para os ureteres e para os rins. Uma infecção
nos rins é muito grave e deve ser tratada
o mais depressa possí-vel para que não
cause lesões.
Sexo e Cistite
A cistite é
freqüentemente chamada de "doença
da lua-de-mel", pois muitas mulheres são
atingidas pela primeira vez quando têm suas
primeiras relações sexuais. Isso
porque fazer sexo com muita freqüência
pode causar uma irritação nos tecidos
que rodeiam a vagina, inclusive o da uretra, originando
a infecção .
Em geral, quando a mulher fica excitada para o
ato sexual, sua vagina é lubrificada por
uma secreção. Se a mulher é
penetrada antes de estar convenientemente lubrificada,
a mucosa vaginal pode sofrer lesões e,
assim, criar um terreno fértil para bactérias.
Essas bactérias poderão entrar pela
uretra e atingir a bexiga.
A estimulação manual da vagina pelo
parceiro, se não for feita com cuidado,
também causará irritações.
Além disso, alguns homens são portadores
de bactérias nocivas por baixo do prepúcio
(pele que recobre a ponta do pênis) e, se
não lavarem bem o pênis, podem transmiti-las
às mulheres no ato sexual.
"Uma simples ducha, logo ao acordar, pode
se transformar numa extraordinária sessão
de sexo, quando os parceiros têm boa idéia
de tomar banho juntos".
É fundamental que o banheiro esteja com
uma temperatura quentinha, abrindo caminho para
a imaginação dos amantes, em sua
boa disposição matinal.
Na posição em pé, eles se
aconchegam a um canto e a mulher apóia
uma perna na borda da banheira. É bom não
esquecer que é muito fácil escorregar
ou cair num ambiente com água, de modo
que os dois devem apoiar-se bem".
Outras causas
As mudanças
hormonais também favorecem a cistite. A
mulher passa por mudanças hormonais acentuadas
em épocas como a puberdade, a gravidez
e a menopausa. Essas mudanças podem ocorrer
também quando a mulher sofre a retirada
dos ovários (ooforeitomia) e por várias
outras causas, entre elas o streee. Certos métodos
anticoncepcionais, às vezes provocam cistite.
Há espermicida (cremes anticoncepcionais),
por exemplo, que irritam a sensível abertura
da uretra. Os efeitos hormonais da pílula
anticoncepcional também podem ser causa
de cistite.
Às vezes, a cistite resulta de bloqueios
do sistema renal, como pedras nos rins, cistos
na bexiga ou engrossamento das paredes desse órgão.
Mas esses problemas são menos comuns.
Algumas vezes a cistite afeta crianças,
em geral quando tomam muito pouco líquido.
Então o ácido úrico contido
na urina fica mais concentrado e daí resulta
uma sensação de ardência durante
a micção. Se não der mais
líquido para a criança beber, o
problema pode afetar os rins e resultar numa inflamação
dos tecidos uretrais, o que, freqüentemente,
se transforma em cistite.
Tratamento
Deve-se tratar
a cistite o mais rapidamente possível porque,
se ela se espalhar pelo sistema urinário,
será mais difícil curá-la.
A cistite tende a se repetir. Muitas mulheres
têm a doença duas ou três vezes
por ano e algumas uma vez por mês. Isso
parece resultar de infecções anteriores
na área, que tenham tornado os tecidos
mais suscetíveis. O problema ainda não
foi devidamente elucidado, mas parece que há
mulheres mais propensas a contrair cistite. Uma
crise de cistite pode ser interrompida no começo,
tomando-se certas precauções, ou
com o auxilio de antibióticos prescritos
pelo médico, se a doença já
tiver se espalhado. No entanto, o melhor caminho
para a cura de cistites repetidas é determinar
sua causa.
A primeira coisa a fazer é perguntar a
si mesma quando teve a primeira cistite. Geralmente,
a resposta leva a mulher a uma determinada idade
ou a um certo acontecimento em sua vida, como
a gravidez, por exemplo. Se, por acaso, a cistite
resulta de irritação das mucosas
vaginais durante o ato sexual, o problema será
resolvido com o uso de uma geléia lubrificante.
Mas, se a primeira cistite ocorreu durante a gravidez,
a mulher terá que recorrer ao médico,
para identificar a causa e encontrar a cura.
Muitas vezes tudo o que é preciso é
adotar umas poucas regras de higiene, como o banho
diário, com maior atenção
aos órgãos íntimos ou o uso
de geléia lubrificante antes do ato sexual.
Algumas precauções
Certos hábitos
podem agravar a cistite. Por isso é bom
prevenir-se.
Os banhos de assento em bidês ou
bacias de água não eliminam as bactérias.
Depois de evacuar, lave o ânus apenas com
sabonete (neutro, de preferência) e limpe
o períneo (a área entre a vagina
e o ânus) com água morna, fazendo
movimentos da frente para trás (se estiver
fora de casa, use lenços de papel úmidos).
Seque a área. Limpe-se sempre da frente
para trás.
Lave a área vaginal antes e depois
das relações sexuais.
Seu anticoncepcional pode estar lhe causando
cistite. O médico poderá indicar
outro.
Beba de três a cinco copos de líquido
por dia ou mais, se o tempo estiver muito
quente.
Use calcinhas de algodão (nunca
de náilon), que devem ser fervidas em água.
Não use calças compridas muito apertadas.
Nunca use produtos químicos (medicamentos
ou de-sodorantes vaginais) na região genital.
Reduza o consumo de frutas cítricas
e temperos picantes. Evite alimentos com muito
açúcar refinado ou com amido (pão
e farinha brancos).
Se você
já entrou numa crise...
Tente lembrar
o que aconteceu nas ultimas 48 horas e procure
alguma mudança na sua rotina. Vá
ao médico, que pedirá um exame de
urina.
Enquanto isso
procure um alívio
Beba
bastante líquido, pelo menos uma xícara
de chá a cada hora durante três horas.
Não beba bebidas alcoólicas.
Tome dois ou três analgésicos.
Tome uma colher de chá de bicarbonato
de sódio dissolvido em água a cada
hora, a partir do inicio da crise (não
faça isso se tiver problemas cardíacos
ou pedras nos rins; seu médico poderá
receitar-lhe outro produto para obter o mesmo
efeito).
Coloque entre as coxas uma bolsa de água
quente, enrolada em uma toalha. Isso faz a pele
que rodeia a uretra ficar quente como a urina
e, assim, alivia a sensação de ardência
quando a urina passa. |