| Saúde
Os
orgãos sexuais femininos
O conhecimento
que a mulher tem do próprio corpo é,
muitas vezes, espantosamente limitado. E as conseqüências
disso não são difíceis de
imaginar: ansiedade, medo de ser anormal, negação
da própria sexualidade.
As mulheres foram educadas para esconder, até
de si mesmas, tudo o que se refere a sexo. Isso
inclui os próprios órgãos
sexuais, e o resultado é uma grande ignorância
em relação ao corpo. Se soubessem
um pouquinho mais a respeito de seus órgãos
sexuais e de suas funções, as mulheres,
provavelmente, teriam menos dúvidas sobre
suas sensações e desejos. Esse desconhecimento
chega a ser tão grande que dificulta até
um relato correto para o médico quando
algo não vai bem: às vezes, a mulher
nem mesmo sabe dizer onde está ocorrendo
o problema.
RECONHECENDO A
PARTE EXTERNA
As pessoas reconhecem
a própria aparência porque se olham
constantemente no espelho, e esta é também
a melhor maneira para a mulher examinar seus órgãos
sexuais. Ela pode fazer esse reconhecimento numa
hora em que esteja tranqüila e certa de não
ser incomodada por ninguém.
Com o ambiente bem iluminado, ela se senta o mais
confortavelmente possível, no chão
ou na cama, e observa atentamente seus órgãos
sexuais com um espelho. O que ela vê primeiro
é a vulva (nome genérico dos genitais
externos da mulher), cercada de pêlos que
crescem em torno dos lábios maiores e sobre
o púbis, formando um triângulo.
Esses são os pêlos púbicos,
que não aparecem da mesma maneira em todas
as mulheres: algumas têm pêlos mais
esparsos, outras têm pêlos em maior
quantidade, inclusive na parte interna das coxas.
Os pêlos púbicos começam a
aparecer pouco antes da primeira menstruação,
na mesma época em que surgem pêlos
debaixo do braço. É uma das transformações
da puberdade, quando os hormônios entram
em ação e a menina se faz mulher.
Esses hormônios são o estrogênio,
produzido nos ovários, e o endrogênio,
produzido pelas glândulas supra renais.
A função básica dos pêlos
seria proteger os órgãos sexuais,
mas eles têm também um poder de atração
erótica.
Quando a mulher fica excitada, as glândulas
odoríficas existentes no púbis e
nas axilas liberam um cheiro que estimula o parceiro.
Ainda devido aos hormônios, os pêlos
púbicos são, geralmente, mais grossos
e mais escuros que os cabelos. E há mulheres
que têm pêlos de cor completamente
diferente da cor dos cabelos.
O púbis, ou monte de Vênus, a saliência
que fica sobre o osso púbico, um pouco
acima da junção das pernas, é
a única parte dos órgãos
sexuais que a mulher pode ver quando está
de pé e nua na frente de um espelho. É
formado por um tecido gorduroso e macio, que acolchoa
o osso púbico.
Os lábios maiores (ou grandes lábios)
são duas dobras de tecido gorduroso que
se vêem na parte de baixo do monte de Vênus,
bem na junção das coxas.
São cobertos de pêlos e atuam como
duas almofadas que protegem as outras estruturas
da vulva. Em geral eles quase se encontram no
centro, cobrindo os lábios menores. Mas
pode acontecer que os lábios menores se
destaquem dos maiores, ficando bem visíveis,
principalmente nas mulheres que já tiveram
filhos.
Como cada mulher é fisicamente diferente
de outra, seus órgãos sexuais também
têm características próprias.
Os lábios menores, por exemplo, que são
cercados pelos maiores, variam de tamanho de uma
mulher para outra. Eles são dobras mais
finas de tecido macio, e sua cor pode ir do rosa-claro
ao amarronzado. Podem ser lisos ou enrugados.
Ao contrário dos lábios maiores,
os menores não têm pêlos nem
tecido gorduroso, mas contém glândulas
odoríferas e oleosas. Bem supridos por
vasos sangüíneos minúsculos,
eles são elásticos e muito sensíveis
ao toque.
O CLITÓRIS
E AS ABERTURAS DA VULVA
Depois de ter
identificado os lábios menores, será
muito fácil encontrar o clitóris.
Ele fica junto ao ponto em que os lábios
menores se juntam no alto, bem abaixo do púbis.
Essa junção forma uma espécie
de capuz de pele (capuz clitorídeo), carnudo
e sensível que recobre o clitóris.
Mas é possível ver a ponta rosada
do clitóris projetando-se para fora do
capuz.
O clitóris é uma pequena sa-liência
formada de tecido erétil (isso é,
capaz de endurecer) e cheia de vasos sanguíneos
e de terminações nervosas. É
o equivalente feminino do pênis em tamanho
bem menor (1 a 2 centímetros, em média,
quando não estimulado) e desempenha um
papel muito importante no orgasmo.
Quando a mulher está sexualmente excitada,
o clitóris, seu capuz e os pequenos lábios
ficam intumescidos pelo sangue que circula em
maior quantidade pela região. Numa das
fases de excitação da mulher, ele
fica rígido, como acontece com os mamilos,
e depois se retrai sob o capuz. É sempre
o ponto mais sensível da vulva.
Abrindo, delicadamente com os dedos, os lábios
menores e segurando o espelho com a outra mão,
a mulher pode ver as partes mais internas de seu
sexo. Começa observando uma mucosa vermelha
com textura semelhante à da boca. Existem
aí dois orifícios: um minúsculo,
a abertura da uretra, por onde sai a urina, e
outro bem maior, a vagina.
A uretra é um canal que sai da bexiga e
termina na vulva. Sua abertura na vulva pode ser
difícil de ser vista, já que é
muito pequena. A mulher pode localizá-la
sobre uma linha reta que iria do clitóris
à vagina: a abertura estará um pouco
mais perto da vagina que do clitóris, numa
pequena depressão.
Cerca de 2 centímetros para dentro da vagina,
a mulher poderá distinguir o hímen
ou vestígios dele quando não
for mais virgem. O hímen é uma membrana
com um furo no centro (por onde sai o líquido
da menstruação) e que tampa parcialmente
a entrada da vagina. Em algumas mulheres, principalmente
naquelas que ainda não tiveram filhos,
os vestígios do hímen aparecem como
franjas soltas de tecido.
Não é só a penetração
durante o ato sexual que rompe o hímen:
exercícios muito vigorosos de alguns esportes,
como tênis, natação, hipismo
e até mesmo certos tampões higiênicos
podem, em alguns casos, fazer o mesmo. Raramente
o hímen cobre toda a abertura vaginal e
algumas mulheres, embora virgens, podem não
ter o hímen visível.
O espaço entre a abertura vaginal e o ânus
chama-se períneo. É um tecido liso,
muito elástico e sensível. Graças
a ele, durante o parto, a vagina pode se abrir
suficientemente para o bebê nascer.
Se a mulher conseguir observar cuidadosamente
mais para dentro da vagina, poderá ver
duas pequenas saliências, uma de cada lado
das paredes vaginais: são as glândulas
de Bartholin. Elas produzem um pouquinho do muco
que lubrifica a vagina. Muitas vezes é
difícil distinguir essas saliências.
Além dessa profundidade fica mais difícil
enxergar alguma coisa. Só por meio de toques
e de apalpação é que se pode
sentir os órgãos internos. A menos
que a mulher ainda seja virgem, ela poderá
facilmente e sem perigo introduzir dois ou três
dedos umedecidos na vagina para explorar o seu
interior.
A VAGINA E O COLO
DO ÚTERO
É muito
importante, para a mulher, saber como funciona
a vagina. Assim como outros órgãos
genitais, a vagina se modifica durante a puberdade.
Ela é um canal flexível e elástico,
com cerca de 7,5 a 12,5 centímetros de
comprimento, cujas paredes ficam normalmente juntas.
Ao colocar um ou mais dedos na vagina, a mulher
poderá sentir que as dobras existentes
em suas paredes "apertam" os dedos.
Essas dobras permitem que a vagina se amolde em
torno do pênis durante o ato sexual. Durante
a excitação sexual, a vagina se
expande e fica bastante umedecida. A vagina é
ainda cercada por uma série de músculos,
que se estendem também em torno do útero,
da uretra e do ânus. Além de servirem
para controlar o ato de urinar e para ajudar o
trabalho de parto, esses músculos podem
ser contraídos vo-luntariamente durante
o ato sexual, apertando o pênis, por exemplo,
o que intensifica o prazer do homem. Ao experimentar
a vagina com os dedos, a mulher pode testar a
contração desses músculos.
A umidade da vagina varia conforme a mulher, a
fase do ciclo menstrual em que está e o
seu grau de excitação. Essa lubrificação
natural faz com que a vagina se limpe constantemente
e, assim mantenha um equilíbrio delicado
entre a acidez e a alcalinidade, sem o qual o
tecido da região não consegue se
manter sadio.
A secreção vaginal tem um cheiro
forte que varia de uma mulher para outra. Algumas,
temendo que seu cheiro seja excessivo, acham necessário
lavar a vagina freqüentemente ou usar desodorantes
íntimos. Isso não é aconselhável,
pois, provavelmente, afetará o mecanismo
natural de autolimpeza e de proteção
contra infecções. Por isso, a mulher
deve limitar-se a lavar diariamente a parte externa
dos órgãos sexuais (a vulva, incluindo
os lábios maiores e menores e o clitóris).
Depois de explorar cuidadosamente as paredes da
vagina, a mulher poderá levar os dedos
um pouco mais para cima e para trás, até
chegar ao fundo, onde fica o colo do útero
(ou cerviz). Para tocar nessa abertura do útero,
ela preci-sará ficar de cócoras
e forçar os músculos para baixo.
Pressionando levemente o colo do útero
com a ponta do dedo, a mulher sentirá uma
consistência semelhante à ponta do
nariz, se ela ainda não teve filhos. Se
já teve filhos, a sensação
será como a do toque na pele da ponta do
queixo. Apalpando levemente esse lugar, descobrirá
uma espécie de covinha, cujo centro, chamado
óstio, é a entrada do útero:
é um pequeno furo com o diâmetro
aproximado de um canudinho de refrigerante. É
por aí que os espermatozóides entram
no útero para alcançar o óvulo
a ser fecundado. É também por aí
que flui o sangue menstrual vindo do útero.
No parto, esse pequenino canal se dilata até
10 ou 12 centímetros.
ÚTERO, TROMPAS,
OVÁRIOS E SEIOS
Situado entre
a bexiga e o reto, o útero tem o tamanho
aproximado de um punho fechado e a forma de uma
pêra invertida. Suas paredes internas ficam
"coladas", como as paredes da vagina.
Na maioria das mulheres, o útero fica inclinado
para frente, formando aproximadamente um ângulo
de 90 graus com a vagina.
Algumas mulheres têm o chamado útero
retrovertido, ou seja, inclinado para trás,
em direção ao reto, o que não
impede que a mulher engravide.
O útero é revestido por uma membrana
fina, cheia de vasos sanguíneos. Isso permite
que ela receba um óvulo fecundado e que
seja capaz de nutri-lo e protegê-lo até
o parto. Das partes laterais do útero saem
as trompas de uterino, dois tubos sinuosos com
cerca de 10 centímetros cada um, que vão
até os dois ovários, situados acima,
um de cada lado do útero.
Os ovários são as glândulas
sexuais femininas, correspondentes aos testículos
do homem. Cada um tem o tamanho aproximado de
uma amêndoa. Eles desenvolvem mensalmente
o óvulo que a mulher libera para ser fecundado.
Produzem ainda os hormônios que regulam
o ciclo da mulher e fazem o útero se preparar
para receber o óvulo.
Os seios são formados por glândulas
mamárias (que produzem leite) e por um
tecido gorduroso que protege essas glândulas.
Seu tamanho determinado pelos hormônios,
na puberdade aumenta temporariamente na menstruação
e na gravidez. No centro da parte mais escura
do seio, chamada aréola, está o
mamilo, que pode ou não ser saliente. Quando
exposto ao frio ou quando a mulher fica excitada
sexualmente, o mamilo fica ereto, endurecendo
e aumentando de tamanho. |