| Relacionamento
O
poder dos gestos e dos sonhos
O olhar
comunica as nossas emoções
amor, raiva, alegria, tristeza de modo
muito intenso. Como não podemos controlar
inteiramente essa linguagem, ela ganha uma autenticidade
que não existe nas palavras, pois estas
são facilmente distorcidas.
Não suportamos
o olhar direto e prolongado de uma pessoa desconhecida.
Esse olhar incômodo pode ser sentido como
uma provocação ou como uma insinuação
de intimidade não desejada. Repare, os
passageiros, de um ônibus: há os
que olham para os lados, os que vagueiam o olhar
pelos anúncios, os que tentam se concentrar
na leitura de um olhar. Ninguém olha para
os outros, a não ser de relance. Se, por
acaso, dois olhares se encontram, as pessoa disfarçam
rapidamente: não querem correr o risco
de serem mal interpretadas.
E o que, afinal, dizem os olhos de tão
comprometedor? Na verdade, temos medo de que,
num simples olhar, uma outra pessoa descubra nossos
segredos mais caros: nossos sentimentos. Isso
acontece porque temos a impressão de que
os olhos, que servem para ver o mundo, poderiam
ser usados de maneira inversa: para enxergar dentro
de nós. E, certamente, nossas emoções
mais fortes são transmitidas pelo olhar,
como o medo, o ódio, o amor, a alegria,
a tristeza.
E, assim como temos medo de que leiam nossos pensamentos,
às vezes somos tentados a querer descobrir
os dos outros pela janela do olhar.
Isso, geralmente, acontece quando alguém
nos desperta um interesse especial. Se formos
correspondidos, inicia-se, então, um flerte,
uma troca de olhares que equivale a uma aceitação
do outro, a um sim para uma primeira aproximação
.
As brigas também começam pelo olhar.
Às vezes, elas não vão além
disso: a pessoa que baixa primeiro o olhar revela-se
vencida. Mas não é por serem silenciosas
que essas brigas são menos intensas. O
poder do olhar indica um domínio psicológico.
E esse domínio ou autoridade não
é conseguido necessariamente pela violência
física.
Pela força expressiva do olhar, pode-se
enviar uma mensagem sutil ou intensa para outras
pessoas. Afinal, o olhar comunica o amor ou a
raiva de modo mais intenso do que as palavras.
Mas também é verdade que não
podemos controlá-lo inteiramente. E é
justamente nisso que está seu grande poder
e mistério.
A força
simbólica do abraço
O abraço
é um dos gestos humanos de significado
mais forte. Ele une concretamente pessoas diferentes,
que muitas vezes mal se conhecem. E também
tem uma força simbólica, que sugere
uma possibilidade de integração,
comunhão e solidariedade.
O ser humano é social, cada um precisa
do outro para se completar. Toda a necessidade
de amor, de calor humano que temos decorre dessa
carência, dessa necessidade de encontrar
uma "alma gêmea" para nos sa-tisfazermos.
Segundo a mitologia grega, o homem é um
ser completo, feliz. Mas, por castigo, ele acabou
sendo dividido em duas metades. Por isso o ser
humano procuraria o amor: para encontrar sua outra
metade, a sua plenitude.
Essa constante busca da unidade é representada
pelo abraço. O envolvimento do corpo de
uma pessoa nos braços de outra é
um gesto de inclusão e união que
procura tornar os dois corpos separados em um
só. Essa é a grande força
simbólica do abraço, tanto entre
amantes, como entre amigos e conhecidos.
A intimidade do abraço começa com
o primeiro gesto da mãe envolvendo o filho
com o seu calor, transmitindo-lhe amor, segurança
e proteção.
Assim, cada abraço nos traz de volta essa
emoção primordial, que gostamos
de transmitir a quem amamos. Esse sentido de proteção
está claramente presente quando usamos
o abraço para confortar uma pessoa querida.
E seríamos mesmo capazes de andar distribuindo
abraços a todo mundo, não fossem
as normas sociais que prescrevem vários
graus de distância física entre as
pessoas, desde os simples conhecidos até
os amantes. Mesmo assim, o abraço surge
espontâneo e ge-neroso nos momentos de festa
e alegria, quando não conseguimos conter
as nossas emoções e queremos dividir
a nossa felicidade com todos aqueles que se encontram
a nossa volta. No dia-a-dia, quando não
podemos abraçar os conhecidos, simplificamos
o gesto do abraço: os tapinhas nas costas,
a mão no ombro, os apertos de mão
mais demorados e mesmo o ligeiro beijo na face
são abraços simbólicos, que
preservam a intenção ori-ginal sem
aumentar a intimidade física.
Sonho e Sexualidade
De acordo com
Sigmund Freud, todos os sonhos têm um significado
sexual. Ou seja, o sonho seria uma forma pela
qual os desejos inconscientes, reprimidos durante
o período que estamos acordados (vigília),
poderiam vir à tona. Como a sociedade em
que Freud viveu era extremamente repressiva em
relação ao sexo, é bem possível
que sua teoria fosse válida, mas ela nunca
foi comprovada.
Os pesquisadores modernos descobriram que quase
todos os homens têm uma ereção
total ou parcial cada vez que sonham, ou seja,
quatro ou cinco vezes por noite. Mas como só
uns poucos sonhos de que lembramos são
eróticos, talvez as ereções
resultem apenas de uma excitação
nervosa generalizada.
Sonhos Eróticos
Em geral, quanto
mais eróticos os sonhos, maior é
o impulso sexual de quem os tem. Quando este impulso
é satisfeito por uma prática sexual
mais intensa, a freqüência dos sonhos
eróticos diminui.
No entanto, ter sonhos eróticos não
significa ter alguma necessidade especial ou algum
problema. Sua vida amorosa pode ser satisfatória
e seus sonhos, ainda assim, poderão aparecer
carregados de erotismo, o que significa, simplesmente,
que você está curioso sobre algum
aspecto do sexo. As questões que a nossa
sexua-lidade nos coloca não resultam só
de problemas e temores, mas também da curiosidade
e expe-riência. Estudiosos afirmam, até,
que as pessoas sexualmente experientes sonham
mais com sexo que as pessoas inexperientes.
Sonhar com um certo tipo de relação
sexual nunca experimentado não reflete,
necessariamente, um desejo. Pode ser uma forma
de testar suas reações a respeito.
Como todos os sonhos, os eróticos também
servem para apresentar respostas plausíveis
em certas questões sexuais, no caso.
Os sonhos ajudam a desvendar o que se passa conosco
e permitem que ensaiemos as soluções.
Se uma mulher sonha que seu marido a abandonou,
por exemplo, está apenas antecipando o
que poderá sentir e fazer nesse caso.
Desfazendo Mitos
Não
há quem tenha apenas sonhos estranhos ou
assustadores. Esses sonhos podem ser mais facilmente
lembrados, mas as estatísticas mostram
que em cada mil sonhos só um é pesadelo.
Não há sono sem sonho. Todos
nós sonhamos cerca de cinco vezes por noite.
Os sonhos não têm significados
preestabelecidos. Não há fundamento
algum em ditos populares como "sonhar com
dente quer dizer que haverá notícia
de morte", e nem na crença de que
o sonho representa o contrário do que foi
sonhado, como "sonhar com morte significa
nascimento".
Os sonhos não são instantâneos.
O que neles ocorre dura o mesmo que na vida real.
Os sonhos não são influenciados
pelo que se come no jantar. Mas um sono agitado
devido à má digestão pode
fazer com que os sonhos sejam mais facilmente
lembrados.
Sonhos eróticos
Sonhar com situações
eróticas nunca vividas não significa
ne-cessariamente que queremos experimentá-las.
Seja qual for o conteúdo dos sonhos, eróticos
ou não, por meio deles lidamos inconscientemente
com nossos problemas e testamos nossa reação
de certas situações.
Quantas vezes você já ouviu alguém
adiar uma decisão ou a resolução
de um problema afirmando, em tom de brincadeira,
que "o sono é o melhor conse-lheiro"?
Pois essa afirmação não está
longe da verdade: ao dormir, trabalhamos inconscientemente
com nossos problemas, através dos sonhos.
Mas nem toda noite so-nhamos, você poderá
dizer. Isso já não é verdade.
Segundo especialistas que desenvolvem estudo sobre
os sono e o sonho em laboratórios, todos
nós, sem exceção, sonhamos
cerca de cinco vezes por noite, em condições
normais. Esses momentos são facilmente
detectáveis, bastando que se observem as
pálpebras de quem está dormindo:
elas tremem continuamente, enquanto a pessoa sonha.
Os movimentos das pálpebras duram cerca
de vinte minutos, em cada um dos cinco períodos
de sonhos.
A gente lembra de ter sonhado ou não conforme
o momento em que acorda. Está provado que
as pessoas costumam recordar-se dos sonhos quando
são acordadas durante o período
em que as pálpebras estão em movimento.
Mas, se acordadas fora desse período, dificilmente
se lembram de ter sonhado.
Sonhar resolve
problemas?
Quando algum
problema nos preocupa, tendemos a nos concentrar
em seus aspectos lógicos. Pensamos, principalmente,
em suas causas e nas soluções possíveis.
Já que o sonho deixa a lógica de
lado e coloca em evidência os sentimentos
e as emoções envolvidas na questão.
O sonho consiste, em geral, em fragmentos de acontecimentos
anteriores, numa passada em revista dos elementos
de uma preocupação recente ou, ainda,
num teste de soluções. Seu banco
de dados só contém lembranças
de fatos cuja clareza depende da intensidade das
emoções que provocaram. O que o
sonho produz não é uma solução
lógica para um problema, mas sim o quadro
de suas conseqüências emocionais. Em
síntese, essa é uma contribuição
para a resolução de problemas.
E quando não
sonhamos?
Assim como um
computador pode ficar sobrecarregado por um acúmulo
de dados, o cérebro humano sofre um desgaste
se for impedido de sonhar. Pessoas que não
conseguem sonhar o suficiente seja pelo
efeito de certas drogas bloqueadoras (tranqüilizantes
e excesso de álcool) ou por serem acordadas
a cada vez que os movimentos das pálpebras
ocorrem tornam-se irritadas, inquietas
e incapaz de se concentrar. Se forem acordadas
com a mesma freqüência, mas no período
em que não estão sonhando, não
terão esses sintomas negativos.
Quando voltarem ao seu padrão normal de
sono, estas pessoas sonharão bem mais,
durante várias noites. É como se
estivessem passando em exame todas as informações
acumuladas, atualizando-as. Depois desse exame,
muitos sonhos são "apagados".
Só passam à memória consciente
os que precisam de novo exame, porque contêm
alta intensidade emocional. |