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Comportamento

Masturbação sem preconceito

A nossa sociedade costumava condenar a masturbação. Quem obtinha esse prazer solitário estava sujeito a medos e sentimentos de culpa. Hoje, já se aceita essa prática simplesmente pelo que ela é — normal, inofensiva e até benéfica para a vida sexual de homens e mulheres

Masturbar-se já foi considerado coisa do demônio. Livros médicos do século XIX chegavam a afirmar que isso era causa de fraqueza, surdez e outras bobagens. Acreditava-se até mesmo que um médico podia reconhecer à distância a pessoa que costumava buscar o prazer solitário. Na verdade, o que se rejeitava com tanto ardor era o prazer em si, desvinculado da finalidade de reprodução. Dessa estranha postura decorrem todos os preconceitos e superstições ligados a masturbação, todos os fantasmas que até hoje rondam muitas mentes pouco esclarecidas, embora atualmente se aceite em geral a masturbação como uma necessidade natural que, por si, não prejudica. Afinal, segundo ficou revelado em pesquisas recentes, a grande maioria das pessoas se masturba.

Como se pode definir masturbação? É a busca de satisfação sexual pela auto-estimulação dos órgãos sexuais. Pode também ser mútua: um parceiro masturba o outro como parte das carícias antes do ato sexual ou como uma alternativa para se chegar ao orgasmo.


Descobrindo o próprio corpo

Tanto os meninos como as meninas, geralmente, descobrem a masturbação bem cedo, e por acaso, ao coçarem o pênis ou os lábios da vulva. Bebês do sexo masculino podem ter ereção pouco tempo depois de nascidos, provavelmente também com orgasmo. A masturbação consciente só ocorre por volta dos 5 anos, facilitada em grande parte porque os órgãos sexuais masculinos são bem visíveis e as ereções espontâneas são percebidas como fonte de prazer.

Já as meninas são menos curiosas em relação aos órgãos sexuais que os meninos, porque os seus são mais escondidos e elas não têm o sinal evidente da ereção. Mesmo que participem de jogos sexuais infantis, a masturbação nelas é menos freqüente e, em geral, só acontece a partir da puberdade. Sua primeira experiência de orgasmo costuma ser acidental, ou seja, durante a prática de certos esportes ou andando de bicicleta, por exemplo.


Repetir o prazer, um caminho natural

A criança que descobriu sensações agradáveis mexendo em seu sexo tentará reproduzi-la natural e instintivamente. Então, as bases de uma sexualidade sadia estão lançadas: desde bebê, o ser humano é convidado a explorar o caminho da sensualidade.

A reação dos pais em relação às práticas sexuais das crianças é importante e decisiva. Se for uma reação positiva, isto é, natural e amiga, ajudará a criança a conviver com o sexo como uma coisa boa. A espontaneidade nos contatos físicos e nos gestos de carinho com os filhos facilita o desenvolvimento da capacidade de ter intimidade com o outro, na vida adulta.

Do mesmo modo, os adultos podem interferir negativamente nas brincadeiras sexuais infantis, quando desde cedo inculcam na criança que isso é mau, se escandalizam e provocam sentimentos de culpa. Não há dúvida de que um clima desses é bem adequado para se preparar adultos inseguros e medrosos, egoístas e extremamente desconfiados na hora de receber. Em suma, adultos com uma pobre capacidade de troca.

Pais aflitos: o que fazer?

Para que o sexo seja uma atividade satisfatória ao longo da vida, contam muito as experiências que as crianças levarão para a vida adulta. E aqui entram em cena os pais. O que fazer quando se abre uma porta fora de hora e se chega repentinamente ao "consultório médico" improvisado onde crianças se examinam ou se masturbam? O comportamento do adulto deve ser o mais natural possível, sem recriminações. Se as brincadeiras transcorrem entre crianças da mesma faixa de idade e não há constrangimento, elas devem ser respeitadas. Na verdade, as crianças estão ensaiando.

Sim. A masturbação constitui uma espécie de ensaio para a vida sexual adulta. O que não significa que os adultos não devam praticá-la também. A freqüência dessa atividade sexual vai depender da pessoa e do momento que está vivendo. Uma coisa é certa: a masturbação, por si, não tem nada a ver com qualquer tipo de problema físico ou emocional. Ela é parte de um processo de sexualização, é uma forma de expressão sexual, e o sexo é um componente natural do ser humano. O que pode ocorrer é que haja culpa e preconceito em relação à masturbação, e isto, sim, é prejudicial.

O adolescente libera a tensão

Na adolescência, masturbar-se é o principal meio de liberar a tensão sexual. Entre meninos, a excitação provoca uma necessidade forte e urgente de atingir o orgasmo (que, a partir da puberdade, vem acompanhado da ejaculação). Na maioria dos casos, a primeira experiência de ejaculação acontece quando o rapazinho se masturba.

Masturbar-se, a sós ou com o parceiro, é um jeito saudá-vel e perfeitamente normal de aliviar a tensão sexual e co-nhecer melhor o próprio potencial erótico. Um homem e uma mulher podem usar técnicas de masturbação para se estimularem mutuamente nos jogos preliminares ou para substituir a penetração, quando ela for dolorosa ou difícil.

Entre as meninas, a relação entre excitação e necessidade de orgasmo não é tão grande e por isso é menor a vontade que elas têm de se masturbar. Os condicionamentos culturais que tradicionalmente reprimem o desejo feminino também contribuem para isso.

Além de ser um canal para liberar a tensão, a masturbação na adolescência é também uma maneira de se criar mais segurança quanto à própria identidade sexual. Com a prática, o adolescente vai se familiarizando com seus órgãos sexuais e descobrindo como sente prazer. Mais tarde, numa relação sexual, poderá indicar o que mais lhe agrada e satisfaz.

Masturbando-se, o jovem libera sua sexualidade apelando para a fantasia, na ausência de uma relação mais direta que o tempo se encarregará de proporcionar. Portanto, não há o que temer.

O que se espera é que a masturbação não venha a substituir de modo exclusivo o contato sexual com parceiros. E mesmo assim o problema é o medo do encontro e não a masturbação em si.

Nos homens, a masturbação tende a diminuir por volta dos 18 ou 19 anos, quando, em geral, é substituída em parte por relações sexuais. Mas não desaparece: ainda é uma prática eventual, mesmo dos casados. Já nas mulheres, ela se torna mais freqüente com a idade, acentuando-se entre os 40 e os 50 anos.

É difícil estabelecer limites para a masturbação. Uma vez por dia é normal? Mais do que isso seria excessivo? Acontece que o senso comum estabelece como excessivo o que ultrapassa seu comportamento usual. Uma pessoa que se masturba uma vez por dia, provavelmente, vai achar exagerada aquela que faz isso três vezes.

Como as pessoas se masturbam

A masturbação mais freqüente é a solitária. Pode ser uma saída para casos de separação ou afastamento do companheiro, uma forma de libe-ração da tensão sexual na ausência do outro. Também os casais se masturbam, ou para aumentar o prazer antes do ato sexual ou em substituição eventual dele, principalmente, com a proximidade do parto. A masturbação pode ajudar os parceiros a lidarem com níveis de excitação diferentes, na busca de uma adequação de ritmos e do conhecimento das reações mútuas.

A maioria das mulheres se masturba estimulando o clitóris ou a área em torno dele, com um dedo ou mais. Outras pre-ferem comprimir e descompri-mir ritmicamente as coxas, esfregar os genitais contra cobertas e travesseiros, mantidos entre as pernas, usar um vibrador ou outros objetos ou, ainda, dirigir uma ducha (do bidê, por exemplo) contra o clitóris.

A maioria dos homens se masturba segurando o pênis com uma ou as duas mãos fazendo movimentos para cima e para baixo em ritmo crescente. Alguns esfregam o pênis contra o colchão ou as cobertas, impulsionando o quadril em movimentos como os do ato sexual.

A masturbação mútua é muito praticada antes do ato sexual e é comum mesmo entre os que não têm o hábito de se masturbarem sozinhos. Ela intensifica a excitação de ambos e prepara uma intimidade maior. Geralmente, é praticada ao mesmo tempo: os parceiros se estimulam um ao outro com a mão, a boca ou a língua, em posições variadas. Às vezes, podem excitar-se tanto que prosseguem com esse tipo de carícia até o orgasmo.

Desmascarando o medo e o preconceito

As mulheres que conseguem obter satisfação sexual pela masturbação tendem a atingir o orgasmo mais facilmente numa relação sexual do que as que nunca se masturbaram. Isso simplesmente porque já se familiarizaram com o próprio corpo e suas exigências específicas, e têm, assim, mais elementos para indicarem ao parceiro o que lhes agrada. Portanto, a masturbação freqüente não compromete a ocorrência de orgasmos futuros. Se o orgasmo na relação sexual demora mais para surgir, isso não tem nada a ver com a masturbação, mas com o tipo de relacionamento, em que os ritmos e respostas nem sempre se encontram. Também os homens que se masturbam muito na adolescência podem tranqüilizar-se: masturbação nada tem a ver com qualquer problema sexual posterior, que em geral é devido a causas psicológicas.


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